Não há nada de que os vendedores de jornais gostem mais do que de uma catástrofe. Cada tsunami, aluimento ou tremor de terra contabiliza logo mais não sei quantos milhões de exemplares vendidos ou mais não sei quantos pontos nos índices de audiências. E, isso é tudo o que um CEO de uma empresa que vende "notícias" quer ouvir. Aqui há dias, o Dr. Alberto João Jardim, do alto da sua circunstância e fiel ao seu figurino, lançou à Judite de Sousa, para quem não sabe uma proeminente jornalista do Canal 1, (uma espécie de Miguel Sousa Tavares de saias, blush e eyeliner) a seguinte atoarda – a senhora vai-se calar que eu vou dizer o que quero e vocês jornalistas vão mas é piar fininho! Não foi bem assim, mas é como se fosse. Hoje morreram duas pessoas numa grota no Nordeste. Mais do que o temporal, a chuva, o vento ou o fatídico acidente o que invadiu as rádios e as televisões em cada noticiário, em cada repetido directo, foi a hipótese de sangue, a ânsia de sofrimento, o desejo de dor. O lugar da informação foi ocupado vampirescamente pela voracidade do espectáculo. O decoro, essa arte antiga, que requeria respeito e contenção, foi contemporaneamente derrubado pela alarvice do em-directo-da-rua-que-vai-dar-à-grota-onde-parece-que-morreu-uma-criança-e-o-pai-e-mais-duas-crianças-ficaram-feridas... "Dois pais nossos e três aves marias" por concordar com o Alberto João, mas ao jornalismo o que é jornalismo e à pornografia o que é ...
mas o pior talvez seja que para cada jornalista com fome de sensacionalismo haja logo atrás um político com ganas de populismo...
sic transit gloria mundi
segunda-feira, 1 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Madeira
Em poucas horas a ilha da Madeira foi acometida pelo Terror. Um dilúvio... bíblico, como se um castigo. Como se aos olhos da Natureza a única medida do homem fosse a impotência e o choro. Perante o que sucedeu na Madeira, impõe a dignidade que saibamos guardar os raciocínios culpabilizadores, que se contenham as sentenças, que se respeite, nem que por poucos momentos, a dor. Na voragem da notícia e no maniqueísmo actual dos certos e dos errados, em plena tragédia surgiram as vozes gritantes da censura dos actos, dos planeamentos, das escolhas, num bombardeamento político absolutamente terrorista. É lancinante constatar que na nossa sociedade existem aqueles que nem perante a natureza e a morte sabem pousar as espadas. Independentemente do que possamos pensar sobre os nossos adversários, ou opositores, nada lhes pode retirar a humanidade sob pena de nós próprios nos tornarmos nos algozes. Por outro lado, há uma imensa arrogância em pensar que a racionalidade humana se pode opor ao poder magnânimo das forças da natureza. Convêm dizê-lo de forma clara – em 1755 a culpa não foi de D. José, ou do Marques, ou da chacina dos Távoras. Em Angra, em 85 80*, não nos preocupou os planos de ordenamento de Mota Amaral. Não é agora, que por ser Alberto João Jardim e o seu séquito, que devemos por a baixa política acima do humano.
* obrigado ao Guilherme pelo olhar atento.
* obrigado ao Guilherme pelo olhar atento.
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portugal
sábado, 20 de fevereiro de 2010
a vida num minuto
É certamente um chavão repetir que a arte imita a vida ou o contrário, mas nestes dias em que o mundo parece padecer da sua própria voracidade e em que os zappings televisivos nos forçam a mergulhar numa letargia deprimida por força da rapidez da sua auto transformação e em que os desígnios da política e da governação nos pretendem fazer crer que tudo se esgota na discussão pueril de escândalo sobre escândalo, nestes dias, conforta constatar que ainda existe algo para lá da espuma. No público de hoje Luís Francisco traz-nos a história por detrás da notícia rocambolesca do avião que se despenhou em Tires na semana passada. Para lá da inverosimilhança, o que só adensa o seu potencial romanesco, fica de facto a emoção de uma trama cinematográfica real e nesse cruzamento entre o real e o literário, o metafórico, há o sublime de uma vida que se prende, e perde, num minuto e de um minuto que marca toda uma vida. Isso é tudo o que precisamos nestes dias, compreender a eternidade de cada minuto em vez de gastarmos tudo na futilidade de poucos minutos.
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coisas realmente importantes
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
coisas do País real
Nem Fernando Nobre, nem PT e Figo e "Face Oculta", nem a arregimentação das hostes socialistas, nem telenovelas parlamentares, nem ETAs, nem putativos líderes do PSD, os assuntos que vão ocupar todas as conversas de hoje são a "ratice" do Porto contra o Arsenal e a táctica do Benfica em Berlim. Coisas do país real...
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
o retrato do país
Este é talvez o melhor retrato do País. Loucamente folião, alheado da realidade, imaginando-se em trópicos inacessíveis, sofredor silencioso e sorridente… fazendo tudo por meia hora de gargalhada e esquecimento. Assim vamos em Fevereiro de 2010.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
"controlar" a comunicação social...
A tentação de controlar a informação é tão antiga como a própria democracia e está impregnada no código genético de qualquer exercício de poder. Mas o erro sob o qual todos temos vindo a laborar em face desta trapalhada das escutas e dos conluios e do raio que o parta é de que em Portugal seja o poder político quem quer controlar os media. A questão não é essa, quem controla os media são grupos económicos e financeiros que por sua vez querem controlar o poder político e vice-versa. E é dessa promiscuidade, dessa constante troca de favores e ataques, num toma-lá-dá-cá imparável e abjecto, que reside o mal actual. Também não ajuda que já não se façam jornalistas e barões dos media como antigamente (já me contentava que tivessem agendas claras e transparentes, exercendo o seu direito a serem partidários de uma forma frontal…). Mas sob a capa da “liberdade de expressão” (dá vontade de dizer – não uses o nome de Deus em vão!) permitem-se cometer todo o género de maquinações e atropelos da verdade. Todos, mesmo todos, vamos sair prejudicados deste escalar da política de sarjeta que parece ter tomado conta do País.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
lamento
Adenda: são duas e meia da tarde, nos Açores, do dia 11 de Fevereiro, ia fazer mais um post sobre o desgoverno no país e os factos das últimas horas, mas esta imagem que ilustra o post parece-me tão boa e tanto pode ainda acontecer nas próximas horas que, para já, deixo as coisas como estão. Mais logo estarei na RTP-Açores a, tentar, comentar a situação política nacional, se é que isso é possivel...
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