O mais profundo falhanço
da autonomia regional mais, até, que a criação de um modelo de desenvolvimento
sustentável é o falhanço da ideia arquipelágica. Nenhum governo, nenhum partido
político, conseguiu dar Açores às nove ilhas do arquipélago. As ilhas vivem
desirmanadas, conflituadas entre si, constantemente em birras e ciúmes. E hoje,
mais do que nunca, essa inveja agudiza-se. O Pico quer um avião igual aos de
São Miguel. O Faial quer uma pista (que todos sabem ser inviável, mas que
cinicamente querem ver construída pelos dinheiros da República, no que seria um
dos maiores crimes financeiros e ambientais alguma vez visto na região…) onde
não haverá aviões. A Terceira quer portos onde não atracarão barcos. E todos,
do Corvo a Santa Maria, querem ser como Ponta Delgada que, coitada, não sabe
bem o que quer ser. A tão apregoada Autonomia Regional não é mais do que uma
expressão vazia para uso da retórica política, porque a nossa realidade hoje é
a de nove calhaus isolados, de costas voltadas uns para os outros, chorando as
mágoas e as dores da inveja alheia. Açores? Isso não existe!
quinta-feira, 17 de maio de 2018
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Café Royal LXXI
Higienizar…
“Cortem-lhe a cabeça!” grita a Rainha de Copas ao ver Alice. Esta semana o PS teve o seu momento Rainha de Copas. Pela voz de César, o partido mandou cortar a cabeça a Sócrates. Para além do – porquê agora?, há outro aspecto deste volte-face que importa relevar. Os partidos são feitos por pessoas, mas não se podem confundir com elas. Nem se deve sancionar todo um partido pelas as acções deste ou daquele militante ou dirigente. Mas, as acções dos políticos podem e devem sofrer o nosso julgamento moral e, acima de tudo, a autocrítica dos próprios partidos. Porém, pretender isolar, de forma cínica, a corrupção toda em Sócrates é esconder o sol com a peneira perante aquele que é hoje o maior problema da nossa democracia: a captura de grande parte do sistema político-partidário por interesses corruptos. Os partidos são, ou deveriam ser, esteios ideológicos e éticos da democracia. Cabe, por isso, ao PS, e a todos os outros partidos, expurgarem-se deste mal, reinstituindo valores éticos e ideológicos na sua acção e higienizando a classe política. Não chega cortar, apenas, uma cabeça…
in Açoriano Oriental
“Cortem-lhe a cabeça!” grita a Rainha de Copas ao ver Alice. Esta semana o PS teve o seu momento Rainha de Copas. Pela voz de César, o partido mandou cortar a cabeça a Sócrates. Para além do – porquê agora?, há outro aspecto deste volte-face que importa relevar. Os partidos são feitos por pessoas, mas não se podem confundir com elas. Nem se deve sancionar todo um partido pelas as acções deste ou daquele militante ou dirigente. Mas, as acções dos políticos podem e devem sofrer o nosso julgamento moral e, acima de tudo, a autocrítica dos próprios partidos. Porém, pretender isolar, de forma cínica, a corrupção toda em Sócrates é esconder o sol com a peneira perante aquele que é hoje o maior problema da nossa democracia: a captura de grande parte do sistema político-partidário por interesses corruptos. Os partidos são, ou deveriam ser, esteios ideológicos e éticos da democracia. Cabe, por isso, ao PS, e a todos os outros partidos, expurgarem-se deste mal, reinstituindo valores éticos e ideológicos na sua acção e higienizando a classe política. Não chega cortar, apenas, uma cabeça…
in Açoriano Oriental
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quinta-feira, 3 de maio de 2018
Café Royal LXX
Accountability
Peço desculpa ao leitor
pela utilização, não só de um palavrão, mas de um palavrão em inglês. Mas, a
verdade é que não existe, na nossa língua, um termo com a abrangência de
significado deste. E esse facto é, em si mesmo, paradigmático da nossa cultura
e da nossa postura enquanto sociedade, principalmente nos tempos que correm. Accountability é a obrigação que os
indivíduos e as organizações têm de prestar contas de forma transparente e de
assumir responsabilidade pelos seus actos perante a comunidade, principalmente
em questões que tem a ver com o bem público. Nos últimos vinte, trinta anos a
democracia portuguesa foi assaltada por grupos de interesses que espoliaram
desavergonhadamente o país. Embora caiba, obviamente, à Justiça o papel,
fundamental, de repor a justiça, há uma outra responsabilidade de accountability que, se não for
voluntariamente exercida pelos diferentes agentes políticos, económicos,
financeiros, etc., deve ser firmemente exigida pelos cidadãos. A falha em
perceber isto é o primeiro pingo de ácido sulfúrico que acabará por corroer,
por completo, a nossa pueril democracia.
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quinta-feira, 26 de abril de 2018
Café Royal LXIX
Sempre!
44 anos depois do 25 de Abril que país somos hoje? Que nação é esta? Olhando a espuma dos dias vemos um país desigual, pobre, desertificado, minado, no seu mais profundo âmago, pela corrupção que tudo contamina e que se metastisa infinitamente, dominado pela ditadura da partidocracia, onde grassa o nepotismo e a falta de vergonha. O sonho de Abril, tirando as conquistas da democracia e da descolonização, falhou em larga medida. E falhou no que era mais importante: na capacidade de construir e desenvolver um país solidário. Dos famosos três D’s desenhados por Medeiros Ferreira é esse o que falta. Nem mesmo a Liberdade é hoje um valor activo numa sociedade cada vez mais subsídio-dependente e com uma democracia imberbe. Urge cumprir, enfim, o terceiro D de Abril – Desenvolver. Mas antes é imperioso moralizar o país. Moralizar o exercício da actividade política, moralizar a justiça, a finança, a economia, a comunicação social, a vida associativa e, até mesmo, o futebol. Só então poderemos celebrar e honrar Abril, sempre!
in Açoriano Oriental
44 anos depois do 25 de Abril que país somos hoje? Que nação é esta? Olhando a espuma dos dias vemos um país desigual, pobre, desertificado, minado, no seu mais profundo âmago, pela corrupção que tudo contamina e que se metastisa infinitamente, dominado pela ditadura da partidocracia, onde grassa o nepotismo e a falta de vergonha. O sonho de Abril, tirando as conquistas da democracia e da descolonização, falhou em larga medida. E falhou no que era mais importante: na capacidade de construir e desenvolver um país solidário. Dos famosos três D’s desenhados por Medeiros Ferreira é esse o que falta. Nem mesmo a Liberdade é hoje um valor activo numa sociedade cada vez mais subsídio-dependente e com uma democracia imberbe. Urge cumprir, enfim, o terceiro D de Abril – Desenvolver. Mas antes é imperioso moralizar o país. Moralizar o exercício da actividade política, moralizar a justiça, a finança, a economia, a comunicação social, a vida associativa e, até mesmo, o futebol. Só então poderemos celebrar e honrar Abril, sempre!
in Açoriano Oriental
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quinta-feira, 19 de abril de 2018
Café Royal LXVIII
€609,00
É o valor do salário
mínimo nos Açores. Fixem o número. Esta semana soubemos que, para além dos seus
salários brutos e ajudas de custo, os nossos deputados eleitos recebem ainda
abonos para deslocações e trabalho político, entre outras regalias do cargo. No
caso das regiões autónomas, o valor pago por viagem semanal às ilhas é de
500,00€ e, não satisfeitos, os 5 deputados açorianos (não acredito que sejam só
os 3 do PS), vão, de cartão de embarque em punho ao guichet dos CTT pedir o seu
reembolsosinho. Bem feitas as contas, cada um leva na carteira mais 1500,00€
limpos por mês, isto no pressuposto que vêm matar saudades uma vez por semana.
Tudo isto pode ser legal, mas é ética e moralmente inaceitável e é só mais uma
demonstração de como os deputados são uma casta na nossa sociedade. Podem chamar-me
de populista, mas num país onde o salário médio são 864,00€, em que o salário
mínimo é o que é, e onde qualquer trabalhador que viaje em serviço, seja no público
ou no privado, devolve o reembolso à sua entidade patronal, esta maroscasinha
dos nossos 5 eleitos é fétida…
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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Café Royal LXVII
Quando tudo arde
Foram chumbados, no
Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, dois pedidos de uma investigação
independente ao, mais que certo, ataque com armas químicas perpetrado pelo
regime sírio de Bashar al-Assad. O chumbo deveu-se aos duplos vetos da Rússia e
dos EUA relativamente às propostas apresentadas pelos próprios, cada um vetou a
do outro num passe típico do jogo diplomático. Como é habitual, foi através do
Twitter que Trump comentou o chumbo. Em 140 caracteres anunciou a chegada de
misseis, adjetivando-os de inteligentes, novos e (pasme-se!) simpáticos, os
misseis! Representantes Russos e Iranianos já responderam que responderão a
qualquer intervenção Ocidental na Síria e, enquanto escrevo, as autoridades
aeronáuticas europeias emitiram um aviso à aviação comercial para as
consequências de eventuais bombardeamentos no mediterrâneo oriental. O conflito
Sírio, que dura já há oito anos, parece transformar-se, assim, de um conflito local
com interesses internacionais num verdadeiro conflito à escala mundial. Numa imprudência
a todos os níveis reprovável, os líderes das maiores potencias mundiais
entretêm-se a decidir sobre os destinos do mundo preocupados apenas com a sua
política interna. É caso para lembrar Sá de Miranda e questionar: “que farei quando tudo arde?”.
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quinta-feira, 5 de abril de 2018
Café Royal LXVI
Prioridades
Num rápido olhar pelo site
da Assembleia da República descobrimos que os nossos deputados andam ocupados com
assuntos tão atraentes como: animais de companhia em estabelecimentos comerciais;
limites territoriais das freguesias de Aves e Lordelo; regime jurídico da
conversão de créditos em capital; ou, a já famosa, sétima alteração à Lei n.º 19/2003
de 20 de Junho (vulgo, financiamento dos partidos…). Quanto a petições, deram
entrada na Assembleia, pedidos tão extraordinários como estes: Reconhecimento
das edições do Campeonato de Portugal realizadas entre 1922 e 1938; ou, Criação
de Dia Nacional do Hóquei em Patins. Este pequeno resumo diz-nos muito sobre a
nossa democracia e sobre nós próprios. Um tema como a presunção jurídica da
residência alternada para filhos de pais separados ou divorciados, não mereceu
dos deputados qualquer interesse e uma petição sobre o tema
(igualdadeparental.org/peticao) conta, actualmente, com apenas cerca de 2800
assinaturas, muito abaixo dos 4470 portugueses que querem ver reconhecidas as
edições dos campeonatos de futebol de 1922 a 1938… Por cá, esperamos ainda por notícias das
auditorias externas, anunciadas em Dezembro, a 6 entidades que têm contratos
avultados com o Governo Regional e que deviam ter sido iniciadas até ao final
de Março deste ano…. É tudo uma questão de prioridades…
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