As remodelações são
naturais em democracia. Podem nem sempre ser necessárias, mas momentos há em
que são imprescindíveis. No Terreiro do Paço, António Costa, pegou num problema
e tornou-o numa oportunidade fazendo uma remodelação, com rapidez, astúcia e firmeza.
O novo Governo é de combate e de protecção ao primeiro-ministro, até à almejada
maioria absoluta. Por cá, Vasco Cordeiro, não quis, não soube, ou não a
conseguiu fazer. Começava por devolver aos cidadãos a confiança nos
responsáveis da Saúde e Protecção Civil, totalmente destruída após o horrendo
episódio das evacuações. Podia, também, corrigir o excessivo peso da
Vice-presidência, devolvendo-se autonomia à Economia com uma Secretaria
própria. Ou, por exemplo, colocar a Cultura no Turismo. Acima de tudo, escolher
personalidades fortes, com peso político e, nunca, ter Directores Regionais com
maior “autoridade” do que os Secretários. A verdade é que, seja por manifesta
arrogância e autoritarismo, seja por descrédito, seja por incompetência e
irrelevância dos seus titulares, este Governo Regional precisa com urgência dessa
remodelação, sob pena de se perder a maioria absoluta.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Café Royal XCIII
Cântico Negro
Quem olhe o estado do
mundo, hoje, mesmo que com “olhos lassos”,
não pode deixar de sentir desconforto, uma quase dor de quem sente que vivemos
o fim de uma era, o fim de um tempo de utopia e de esperança. Em nosso torno
são múltiplos os sinais de que o tempo das democracias liberais terminou. O
sonho de um mundo, construído por sociedades onde as liberdades individuais e o
princípio da solidariedade entre indivíduos e gerações seriam a base da
organização dos estados, sucumbiu à ditadura dos números. Todo o discurso
político foi contaminado, como se por um vírus, por défices, taxas, dívidas,
índices, juros, ratings e todo um infindável jargão de economices, com que os
titereiros da política e do capital manipulam o espaço público. Algures no
caminho deixamos que se perdesse o humano e tudo se tornou refém do número. É
natural que assim seja quando, por estes dias, o que constatamos à nossa volta
são políticos emproados a discutir as décimas do défice e a percentagem do PIB
na dívida, sem que, nunca, se considere o simples, mas fundamental, bem-estar
dos cidadãos… “Não, não vou por aí!”
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quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Café Royal XCII
#EleNao
No domingo, o Brasil vai
a votos, naquela que é, certamente, a mais inacreditável campanha eleitoral de
sempre para a escolha de um Presidente. Mesmo num país onde um gorila já foi
candidato a deputado e um artista de circo ficou célebre pelo seu slogan “Pior do que tá não fica, vote Tiririca”.
Mergulhado em escândalos de corrupção, depois do impeachment de Dilma e do
mandato do vampiresco Temer, o Brasil está mais dividido do que nunca. De um
lado, a Esquerda, órfã de Lula (preso e impedido de concorrer), tenta
consolidar Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, como a face reformista de
um PT acossado pelos escândalos de corrupção. Do outro lado, a Direita, aparece
tombada para a sua extrema com Jair Bolsonaro, ex-militar na reforma, como o
líder das sondagens. Os últimos inquéritos davam a Bolsonaro 31% das intenções
de voto. E o que torna estas eleições brasileiras tão inacreditáveis é mesmo
Bolsonaro. Escassos 33 anos após o fim de uma Ditadura Militar, que durou 21, os
brasileiros parecem acolher com entusiasmo um candidato cuja visão política
comporta opiniões como esta – “o erro da
ditadura foi torturar e não matar”. #EleNao!
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Café Royal XCI
Honrar Antero
A “Questão Coimbrã” foi uma
das mais célebres polémicas da história nacional. Choque intelectual entre duas
gerações, opôs o jovem Antero de Quental e o velho António Feliciano de
Castilho. No cerne da disputa estavam duas concepções distintas do papel da
literatura na sociedade. Para Antero e a sua “Geração de 70”, a literatura
deveria ser o motor da revolução social, por oposição à visão imobilista e
ultrarromântica daquilo a que Antero chamou a “Escola do Elogio Mútuo” e cujo
centro era Feliciano de Castilho. Mas, mais do que uma disputa literária, esta
foi uma discussão política, marcada pela visão positivista ou, mais ainda,
socialista de Antero. Sabendo isto, é com enorme estupefação que vimos um
excerto da carta “Bom Senso e Bom Gosto”, de Antero, a epigrafar a Moção de
Estratégia de Alexandre Gaudêncio ao Congresso do PSD/Açores. Escolher Antero
como figura tutelar só pode significar duas coisas: ou Gaudêncio não sabe quem
foi Antero, o que é grave, ou pretende um PSD/A socialista e revolucionário, o
que seria surpreendente. Porém, o que as duas mostram é uma enorme e confrangedora
falta de cultura política e literária.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018
Café Royal XC
Os Areais
Naquele tempo, íamos surfar, às escondidas, para o Monte Verde. A primeira vez que fomos aos Areais foi com o Armindo e o Marco Sousa. Entrando pelo lado onde hoje é o Tuká Tulá, não havia praia. Era um imenso calhau, espécie de despojos da rapina dos apanhadores ilegais de areia. Do outro lado, junto ao morro de Santana, a entrada era feita pela estrada. Seguíamos por um caminho de terra e descíamos o pequeno carreiro na falésia até à praia, ao encontro daquele lugar paradisíaco e incólume, apenas nós e algumas das mais fantásticas ondas da ilha. Hoje, a praia dos Areais de Sta. Barbara é uma das melhores e mais utilizadas zonas balneares da ilha e é, também, um importante cartaz turístico, fruto da projecção global dos campeonatos de Surf. E é com um enorme orgulho que sei que o aproveitamento e qualificação de um valioso pedaço desta ilha se ficou a dever, também, ao empenho e vontade de um pequeno grupo de surfistas. Os Areais são um feliz exemplo de como as boas vontades, se bem orientadas, podem trazer benefícios para todos. Quão bom seria se esse exemplo fosse seguido, por outras pessoas, noutros lugares destas ilhas…
in Açoriano Oriental
Naquele tempo, íamos surfar, às escondidas, para o Monte Verde. A primeira vez que fomos aos Areais foi com o Armindo e o Marco Sousa. Entrando pelo lado onde hoje é o Tuká Tulá, não havia praia. Era um imenso calhau, espécie de despojos da rapina dos apanhadores ilegais de areia. Do outro lado, junto ao morro de Santana, a entrada era feita pela estrada. Seguíamos por um caminho de terra e descíamos o pequeno carreiro na falésia até à praia, ao encontro daquele lugar paradisíaco e incólume, apenas nós e algumas das mais fantásticas ondas da ilha. Hoje, a praia dos Areais de Sta. Barbara é uma das melhores e mais utilizadas zonas balneares da ilha e é, também, um importante cartaz turístico, fruto da projecção global dos campeonatos de Surf. E é com um enorme orgulho que sei que o aproveitamento e qualificação de um valioso pedaço desta ilha se ficou a dever, também, ao empenho e vontade de um pequeno grupo de surfistas. Os Areais são um feliz exemplo de como as boas vontades, se bem orientadas, podem trazer benefícios para todos. Quão bom seria se esse exemplo fosse seguido, por outras pessoas, noutros lugares destas ilhas…
in Açoriano Oriental
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Café Royal LXXXIX
A Escola
Vão recomeçar as aulas. Como
se o fim do Verão e as agruras típicas do regresso ao trabalho não fossem, já
de si, angustiantes o suficiente, eis que, de supetão, cai sobre pais e filhos,
professores e alunos, o tormentoso turbilhão do regresso à escola. Os horários,
as actividades extracurriculares, os manuais, os materiais, as mochilas, as
roupas, todo um infindável rol de pequenos/grandes problemas que, por estes
dias, consomem quase por completo uma grossa fatia da sociedade. Até aos avós
hão de chegar as ondas de choque do ano lectivo. As nossas sociedades
transformaram a Escola num espaço de contenção das crianças e, até, em certo
sentido, dos pais. A padronização e sistematização dos processos e das regras do
sistema educativo criaram um ambiente quase que opressor para todos os que, de
uma forma ou de outra, lidam com a Escola. Horários rígidos e excessivamente
longos. Currículos padronizados, avaliações quantitativas. (Já para não falar
nessa instituição arcaica chamada “trabalhos de casa”, que transporta a escola
para dentro da vida familiar, desesperando as crianças e infernizando os pais).
Valerá a pena perpetuar este sistema?
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Café Royal LXXXVIII
Vontade
Depois de uma
apresentação mediática, foi ontem tornada pública a Moção de Vasco Cordeiro ao
próximo Congresso do PS Açores. O documento aponta 3 grandes áreas de actuação:
Afirmação dos Açores no contexto nacional e internacional; Coesão entre as
ilhas; Qualificação da Democracia. Dos 3, há um que merece destaque – “Reforçar
a Coesão Partindo da Diferença”. Aí é expressa a intenção de olhar para o desenvolvimento
económico e social das ilhas, partindo da identificação e valorização das
diferenças entre elas e já não da tentativa de as tornar iguais, algo que
culminou na efervescência bairrista que os Açores vivem hoje. O que fica por
saber é se esta ambição de Vasco Cordeiro, em si válida e extremamente
necessária, se resumirá apenas a um mero texto de uso político. Ou, pelo
contrário, mais do que uma mera ambição, a sua vontade é levar realmente a
cabo, ilha a ilha, este novo paradigma de governação. Se for assim, esse será o
seu maior legado à Região e um cortar, definitivo, com as políticas, e os
políticos, do passado. Esperemos que sim…
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