segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Madeira

Em poucas horas a ilha da Madeira foi acometida pelo Terror. Um dilúvio... bíblico, como se um castigo. Como se aos olhos da Natureza a única medida do homem fosse a impotência e o choro. Perante o que sucedeu na Madeira, impõe a dignidade que saibamos guardar os raciocínios culpabilizadores, que se contenham as sentenças, que se respeite, nem que por poucos momentos, a dor. Na voragem da notícia e no maniqueísmo actual dos certos e dos errados, em plena tragédia surgiram as vozes gritantes da censura dos actos, dos planeamentos, das escolhas, num bombardeamento político absolutamente terrorista. É lancinante constatar que na nossa sociedade existem aqueles que nem perante a natureza e a morte sabem pousar as espadas. Independentemente do que possamos pensar sobre os nossos adversários, ou opositores, nada lhes pode retirar a humanidade sob pena de nós próprios nos tornarmos nos algozes. Por outro lado, há uma imensa arrogância em pensar que a racionalidade humana se pode opor ao poder magnânimo das forças da natureza. Convêm dizê-lo de forma clara – em 1755 a culpa não foi de D. José, ou do Marques, ou da chacina dos Távoras. Em Angra, em 85 80*, não nos preocupou os planos de ordenamento de Mota Amaral. Não é agora, que por ser Alberto João Jardim e o seu séquito, que devemos por a baixa política acima do humano.

* obrigado ao Guilherme pelo olhar atento.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

a vida num minuto

É certamente um chavão repetir que a arte imita a vida ou o contrário, mas nestes dias em que o mundo parece padecer da sua própria voracidade e em que os zappings televisivos nos forçam a mergulhar numa letargia deprimida por força da rapidez da sua auto transformação e em que os desígnios da política e da governação nos pretendem fazer crer que tudo se esgota na discussão pueril de escândalo sobre escândalo, nestes dias, conforta constatar que ainda existe algo para lá da espuma. No público de hoje Luís Francisco traz-nos a história por detrás da notícia rocambolesca do avião que se despenhou em Tires na semana passada. Para lá da inverosimilhança, o que só adensa o seu potencial romanesco, fica de facto a emoção de uma trama cinematográfica real e nesse cruzamento entre o real e o literário, o metafórico, há o sublime de uma vida que se prende, e perde, num minuto e de um minuto que marca toda uma vida. Isso é tudo o que precisamos nestes dias, compreender a eternidade de cada minuto em vez de gastarmos tudo na futilidade de poucos minutos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

o retrato do país

Este é talvez o melhor retrato do País. Loucamente folião, alheado da realidade, imaginando-se em trópicos inacessíveis, sofredor silencioso e sorridente… fazendo tudo por meia hora de gargalhada e esquecimento. Assim vamos em Fevereiro de 2010.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"controlar" a comunicação social...

A tentação de controlar a informação é tão antiga como a própria democracia e está impregnada no código genético de qualquer exercício de poder. Mas o erro sob o qual todos temos vindo a laborar em face desta trapalhada das escutas e dos conluios e do raio que o parta é de que em Portugal seja o poder político quem quer controlar os media. A questão não é essa, quem controla os media são grupos económicos e financeiros que por sua vez querem controlar o poder político e vice-versa. E é dessa promiscuidade, dessa constante troca de favores e ataques, num toma-lá-dá-cá imparável e abjecto, que reside o mal actual. Também não ajuda que já não se façam jornalistas e barões dos media como antigamente (já me contentava que tivessem agendas claras e transparentes, exercendo o seu direito a serem partidários de uma forma frontal…). Mas sob a capa da “liberdade de expressão” (dá vontade de dizer – não uses o nome de Deus em vão!) permitem-se cometer todo o género de maquinações e atropelos da verdade. Todos, mesmo todos, vamos sair prejudicados deste escalar da política de sarjeta que parece ter tomado conta do País.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

lamento


Que o mundo estava perigoso já o sabíamos, agora confrontamo-nos com a perigosidade do país. Como se já não bastasse a tenebrosa crise financeira e económica que nos asfixia lenta e inelutavelmente, ainda temos o desvario e estupidez dos alicerces da parca democracia que conseguimos com dificuldade nestes módicos trinta e cinco anos desde a revolução de Abril. Legisladores, governos, juízes, jornalistas e empresários aparentemente todos entraram numa espiral imparável de idiotice, perfídia e demência. Já nada parece seguro neste país, já nada parece sério.

Adenda: são duas e meia da tarde, nos Açores, do dia 11 de Fevereiro, ia fazer mais um post sobre o desgoverno no país e os factos das últimas horas, mas esta imagem que ilustra o post parece-me tão boa e tanto pode ainda acontecer nas próximas horas que, para já, deixo as coisas como estão. Mais logo estarei na RTP-Açores a, tentar, comentar a situação política nacional, se é que isso é possivel...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

recomendação carnavalesca

depois do "curso de ética" para pilotos da TAP que tal um curso do mesmo género para políticos e "jornalistas"