quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Convite Lançamento

Caras Amigas e Caros Amigos

Na próxima sexta-feira, dia 28, pelas 19:00 horas, na livraria Solmar, em Ponta Delgada, estarei com o Nuno Costa Santos para o lançamento do meu livro 15 Poemas de Amor e um Divertimento
Tenho muito gosto em contar com a vossa companhia.

Abraço

Pedro Arruda


 
 
 
15 Poemas de Amor e um Divertimento
Pedro de Mendoza
Edição de Autor
Junho de 2015
Concepção Gráfica de Júlia Garcia
Impresso na Tipografia Micaelense
...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Medeiros Ferreira


Permitam-me que, nesta ocasião especial, quebre o protocolo e comece por cumprimentar a Sra. D. Maria Emília Brederode dos Santos e, na sua pessoa, toda a família do Professor José Medeiros Ferreira e, também, a organização deste encontro de afectos.

Cara Maria Emília

Sua Excelência, Presidente do Governo Regional dos Açores,

Dr. Vasco Cordeiro, Caro Amigo

Caras Amigas e Caros Amigos do Professor José Medeiros Ferreira

Se o Professor Medeiros Ferreira estivesse aqui connosco hoje e contenho-me para não invocar a formulação cristã – ele está no meio de nós – arrisco a dizer que certamente estaria, neste momento, com o seu vasto sorriso e elegância habitual, a comentar as façanhas dos miúdos do Rui Jorge e a vitória derrota da selecção nacional na final do Europeu de Sub-21.

Teria chegado a esta sala depois de assistir ao jogo num qualquer restaurante de Ponta Delgada, comentando passes, dribles, desmarcações, o timing das substituições, o futuro na carreira desses miúdos. Quando encontrasse um benfiquista, lançaria um lamento pela venda do Bernardo Silva e, aos Sportinguistas, recomendaria cautela com o potencial incendiário da dupla Bruno de Carvalho -/- Jorge Jesus.

Depois, e ainda antes de falar de política, falaria de banhos de mar, da temperatura da água no pesqueiro nesta época do ano, se há ou não águas vivas na praia do corpo santo…

Aqui, entre amigos, o Professor Medeiros Ferreira seria como sempre foi: um amante das coisas boas da vida e um ser humano de uma imensa disponibilidade para os outros, para conversar com os outros. Penso que não haverá traço mais distintivo da sua personalidade, depois da benigna vaidade pessoal, do que essa permanente sede de conversa, de debate de ideias, de argumentar, a favor, contra, baseando sempre o seu discurso na enorme erudição e pautando cada frase, cada ideia, com uma ironia que era só sua.

Aqui, entre camaradas, o Professor Medeiros Ferreira não deixaria de falar de política, a nacional e a europeia, que são cada vez mais uma e a mesma coisa. Criticaria ironicamente uma Europa refém da Finança, esquecida da sua própria história, governada por meros mangas-de-alpaca inspeccionando avidamente balancetes de dívida sem a noção dos povos e do desenho dos mapas. Uma Europa onde, na sua fronteira leste, os novos fascistas Húngaros constroem muros de má memória e os amanuenses de Bruxelas ponderam fazer cair a mais antiga Democracia da História. Se aqui estivesse hoje o Professor Medeiros Ferreira poderíamos certamente ouvir o seu comentário sarcástico à triste sina de um país que tem como primeira figura do Estado um professor de finanças (sempre os professores de finanças) que, sem uma gota de sensibilidade humana, reduz toda uma Nação de 10 milhões de pessoas a um número - um 19, que serão 18, ambicionando talvez ele (o professor de finanças) que sejamos nós o 17…

Que falta nos faz o Professor Medeiros Ferreira e a sua sagacidade política, o seu instinto certeiro, a capacidade de saber antecipadamente o resultado político de um determinado gesto, de um determinado discurso.

Aos seus camaradas, de cá e de lá, não deixaria de alertar para os riscos da actual situação política, apelando para que não se deixem enredar na discussão pequena, na luta estéril, da espuma dos dias. Apelando a que as ambições dos socialistas, quer para se manter no poder, quer para o alcançar, sejam sempre as de um partido humanista e verdadeiramente, social-democrata. Coisa que os partidos à nossa Direita já deixaram de ser e que importa urgentemente revelar, assim como urge mostrar às novas gerações que nem só de bandeiras fracturantes, agitadas em manifestações ou sorrateiramente afixadas nos edifícios do Estado, se faz a Esquerda.

Aqui, na sua terra e entre os seus, o Professor Medeiros Ferreira falaria das ilhas e da açorianidade, hoje palavra tão em voga. Mas uma açorianidade feita de mundo, feita da ideia de um arquipélago na ponte entre dois sonhos, o sonho europeu e o sonho americano, e da extraordinária potencialidade de sermos essa ponte. Uma açorianidade já não feita de antítese aos mandos e desmandos da República, mas da afirmação segura da importância de um povo que se expressa pela força do próprio Atlântico, tanto aqui, nas nove ilhas, como em Lisboa e na restante Europa – como ainda e parafraseando Pessoa, nesse Ocidente ao Ocidente do Ocidente que é a América. Uma açorianidade até, que pela sua asserção plena, poderá ser a génese da refundação do ideal europeu, já que uma Europa feita de povos e pelos povos terá sempre que começar na identidade de cada um de nós, seja nos estados ou nas regiões.

Nestes dias em que a Europa parece desfalecer sob o manto de uma incompetente, falsa e nefasta unidade monetária, compete a cada democrata, seja no Corvo ou em Creta, dizer que a Europa se faz de pessoas, dos seus espaços e dos seus ideais pois é deles que é feita a História e, sem a História, não somos nada.

Terminada a homenagem, feitas as honras, depois de todos os cumprimentos, o Professor Medeiros Ferreira agregaria à sua volta um grupo de amigos, jovens e menos jovens conforme o espírito. De chapéu e andar altivo, desceríamos juntos a rua até às Portas do Mar, sentindo a maresia e o calor do verão, e numa qualquer esplanada deixaríamos a conversa eternizar-se em volta de uma mesa, uma ideia e muitas amizades.

Obrigado Professor, pela sua amizade.

Pedro Arruda

30 de Junho de 2015
texto lido ontem no Teatro Micaelense na sessão de homenagem ao Professor Medeiros Ferreira

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

o pequeno ecrã


A notícia nacional da semana não tem, felizmente, nada que ver com sócrates nem pêtes. A melhor notícia foi a de que o Conselho Geral Independente da RTP indicou os nomes de Gonçalo Reis e, principalmente, Nuno Artur Silva, para a administração da televisão pública.

Quem andar pela casa dos quarenta fará, provavelmente, parte da primeira geração de portugueses que cresceu, verdadeiramente, com a televisão. Nos idos de setenta, quando o objecto entrou nas nossas casas ainda era suficientemente esquisito para ser especial. Depois, com o passar do tempo e, em particular, com a ditadura do canal único, a televisão e os seus conteúdos foram para muitos de nós um elemento formador essencial. Uns melhores, outros piores, a verdade é que figuras como Vasco Granja e Fernando Pessa, Joaquim Furtado e José Duarte ou, ainda, a voz de Eládio Clímaco nos documentários da BBC e da National Geographic, se transformaram em parte do nosso imaginário. Posso afirmá-lo sem pudor, que a televisão e a RTP em particular foram essenciais para o meu crescimento, tanto pelas coisas que me ensinaram como pelos horizontes que abriram. E, lembro-me também do advento das primeiras parabólicas e do verdadeiro universo que abriram para outras línguas, países e ideias. O facto de a minha avó ter uma tornava as minhas férias nos Açores ainda mais especiais. (Pobre da minha avó que, só para me ter a seu lado, aquentou serões e serões a ver o Alternative Nation na MTV… que educação musical, para mim e para ela…).  

Mais tarde, por via dos blogues e por um convite, que teve tanto de audaz como de irreverente, do Joel Neto, secundado pela voz autorizada do Osvaldo Cabral, assumi, eu próprio, o papel de comentador num programa de televisão. O comentário, que tinha tanto de político, como de opinião, como, muitas vezes, de má-língua prolongou-se por quatro ou cinco anos e saltitou por vários programas da RTP-A. O que essa experiência me ensinou foi a importância que a criatividade e a coragem têm na constituição de uma grelha de programas. As televisões serão tanto melhores quanto mais desempoeiradas forem as pessoas responsáveis por as gerir. Desde os administradores, aos directores passando pelos apresentadores e pelas pessoas que dão a cara na tela com inteligência e, acima de tudo, com liberdade.

E aqui chego ao Nuno Artur Silva. Não me interessa nada se ele é de esquerda ou de direita, nem se pertence a este ou àquele lobby. Interessa-me sim que seja uma pessoa com o seu currículo na criação de conteúdos, com a sua bagagem intelectual e com a sua irreverência a gerir os conteúdos de uma estação com os meios da RTP, para que esta deixe de ser, apenas, caixa-de-ressonância da espuma dos dias. Só isso, já é uma boa notícia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O que vale um nome.

Quando, há sessenta anos atrás, um pequeno grupo de visionários empresários açorianos criou a Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos fê-lo com a ambição de ligar os Açores ao mundo. A parte mais importante de toda a equação era a operacionalidade, era ter os voos. O branding, palavrão que não existia na altura, era a mínima das partes, uma vez que a experiência desses empresários lhes ensinara que a verdadeira marca eram os Açores em si. Para se construir uma marca de referência são necessárias, entre outras, duas coisas fundamentais – conceito e tempo. Bem ou mal, goste-se ou não, a verdade é que ao longo do tempo a SATA criou a sua marca, a sua identidade e notoriedade nos mercados. Aliás, nos últimos anos, foi mesmo alvo de um rebranding, outro palavrão, premiado e reconhecido internacionalmente. Falando de turismo, qualquer leigo percebe que, nos dias de hoje, é irrelevante, aos olhos do consumidor, o nome estampado nas paredes do tubo com cadeiras e asas que o transporta de um lado para o outro. Até porque, como tanto nos tem sido dito para justificar as alterações às Obrigações de Serviço Público, o paradigma do transporte aéreo mudou, havendo uma deslocação de passageiros das chamadas companhias de bandeira paras as ditas Low Cost. Por isso mesmo, há algo que não bate certo nesta anunciada alteração de designação da companhia, de SATA Internacional para Azores Airlines. Ainda mais, quando, se diz que essa alteração está relacionada com o posicionamento comercial da companhia nos mercados norte-americano e macaronésia. O mais importante na afirmação de uma companhia aérea é o serviço, a pontualidade, o conforto, etc. Se me disserem que o nome SATA está hoje nas ruas da amargura na América e Canadá, eu até dou isso de barato. Mas, tenho sérias dúvidas que seja a Azores Airlines que venha resolver isso. Deixo-vos um dado curioso. O aeroporto de Honolulu, no Havaí, conta com cerca de 20 companhias diferentes, que voam de mais de cinquenta pontos de partida, de acordo com dados recentes, a Hawaian Airlines só é líder em duas dessas rotas, nomeadamente Sydney, Austrália e Phoenix, Arizona. Será que essa liderança se faz pelo nome? Claro que não. O que a promoção turística dos Açores precisa é de estratégia, criatividade e dinheiro e a SATA tem que vir atrás disso. Pensar que a promoção dos Açores nos Estados Unidos da América e Canadá se faz com a companhia aérea é, literalmente, colocar a carroça à frente dos bois. Peguem no dinheiro que vão gastar em mudar toda a imagem da companhia, que não será pouco, e dêem-no à promoção do destino, façam campanhas nos mercados, dêem a conhecer as ilhas e deixem, se faz favor, o nome da companhia em paz.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Resoluções de Ano Novo

Não tomar resoluções de Ano Novo...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013