quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

contas de merceeiro

será que os 4,7 Mil Milhões de euros que o estado português colocou no BPN para salvar um banco cuja anterior administração está neste momento em tribunal representam também uma "medida discriminatória e profundamente injusta, se não mesmo de incompreensível egoísmo" como os 3,5 Milhões que o Governo Regional pretende dar a três mil e setecentos funcionários públicos?

sábado, 27 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O momento literário da década!!

Atenção contêm linguagem ofensiva.

"não há nada a que não se possa juntar um caralho,"

Ministério Público quis levar a julgamento cabo da GNR que usou expressão junto de superior, mas Relação de Lisboa ilibou-o.
Quando um cabo da GNR, irritado com o facto de não ter conseguido uma troca na escala de serviço, se dirige ao seu superior, dizendo "não dá pra trocar, então prò c...", está a cometer um crime de insubordinação ou apenas a desabafar? Este debate percorreu o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e o Tribunal de Instrução Criminal, chegando, a 28 de Outubro deste ano, ao Tribunal da Relação de Lisboa, que encerrou o caso: o cabo não deve ser julgado, porque a expressão utilizada é um "um sinal de mera virilidade verbal"....
Diário de Noticias, 18 de Novembro de 2010.

Palavras para quê, é o país que temos caralho!

via Da Literatura

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Retalhos da vida de um bodyboarder






Nos últimos anos todas as minhas idas à Ericeira não ficavam completas sem cumprir dois rituais, para além das ondas é claro e se bem que de algumas vezes o ritual das ondas não foi sempre o mais importante, (por isso me penitencio, mas compreendam que nem a idade, nem o frio, nem a mulher e a filha permitem toda liberdade e ousadia que um verdadeiro bodyboarder deve ostentar ou merecer...) enfim adiante. Como eu dizia, dois rituais completavam as minhas viagens anuais à chamada, justa ou injustamente, capital do Surf nacional. O 1º e talvez o mais apetecido era, ainda é, uma romaria à Ribas, cervejaria de eleição, onde um insular pode matar, sem escamas, a sua saudade do melhor marisco do mundo, melhor do que as cracas, o percebe. Para mim 12 meses sem ir à Ribas é tortura maior do que não viajar, por isso não há saída da ilha que não obrigue a desvio para a Ericeira e hora e meia de percebes, mexilhões à espanhola e outras variedades de frutos do mar, que quase que compensam a ausência de ondas e de agua salgada a pingar do nariz. O segundo ritual, enquanto a esposa saltava de loja em loja no centro da pitoresca vila, era uma passagem na 7seven, uma das poucas bodyboard shops do país. Na minha mais recente passagem pela Ericeira constatei, com pesar, que a 7seven fechou. No entanto, no seu lugar surgiu uma livraria, que se não me engano se chama Ao Pé das Letras, e eu, que para além das revistas, dos discos e das pranchas ainda tento coleccionar livros, fico um pouco menos triste. Que uma loja de bodyboard dê lugar a uma livraria é algo de catártico e eu vejo nisso alguma poesia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

RIP Harvey Pekar

"Harvey Pekar, 70, the writer whose autobiographical comic book series "American Splendor" chronicled his life as a filing clerk, record collector, freelance jazz critic and one of life's all-around misfits, was found dead July 12 at his home near Cleveland."


segunda-feira, 19 de abril de 2010

AÇORES, UM ARQUIPÉLAGO DE IMENSO MAR.

“Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar”
Vitorino Nemésio.


Procurando ir ao encontro do desafio lançado pelo Presidente do Partido aquando da apresentação da sua Moção de Orientação Global (MOG), “discutir o que o partido pode e deve fazer por todos os açorianos”, julgamos pertinente reflectir sobre uma das áreas que mais honra o património ideológico e político do Partido Socialista dos Açores e onde este foi, é e será sempre, um imprescindível agente de mudança e de progresso – o Turismo.
É inquestionável que foi o Partido Socialista e os governos de Carlos César quem, numa aposta sustentada e com políticas concretas, abriu os Açores ao mundo e deu mundo aos Açores. Contrariaram-se, assim, séculos de bruma e décadas de um conservadorismo beato que fechava os Açores ao exterior e que, do pouco mundo que trazia aos Açores, fazia-o sob a censura de uma mundivisão estagnada pelos valores da suspeita e do receio.
Em boa verdade, até aos governos da Nova Autonomia, o Turismo açoriano viveu exclusivamente da vontade, da perseverança e do árduo trabalho de alguns protagonistas isolados, muitas vezes incompreendidos, que lutaram duramente, contra o conservadorismo dominante. D’As Ilhas Desconhecidas até aos Xailes Negros os Açores foram bruma, manto e segredo, só se dissipando o nevoeiro com a ambição socialista de apresentar as ilhas ao mundo sob uma nova luz. Uma luz feita da multiplicidade de verdes das nossas terras e da imensidão de azuis do nosso mar.
De 1996 até hoje, e não obstante novos caminhos que seja preciso trilhar ou melhorar daqui em diante, os Açores consolidaram a sua aposta no Turismo, com a abertura de novas ligações aéreas e marítimas, com a melhoria generalizada das acessibilidades, com o aumento exponencial do número de camas e dormidas, com a divulgação no exterior, com o investimento em serviços, restauração e oferta cultural.
Hoje, apesar das debilidades da crise, urge prosseguir esse caminho, aprofundando e aperfeiçoando, cada vez mais, a aposta socialista no Turismo, como um dos pilares do desenvolvimento sustentado do arquipélago e da autonomia regional.
Aliás, embora a actual situação económica global seja preocupante, o Turismo é uma das áreas de maior potencial futuro e a actual circunstância é precisamente o momento ideal para se repensar metodologias, rever estratégias e criar novas oportunidades.
Assim, e tal como a própria MOG sugere, feito que está o fundamental do trabalho de infra-estruturação do Turismo açoriano, importa agora recentrar as políticas do Turismo privilegiando-se cada vez mais uma maior aposta nos serviços, com particular ênfase na qualidade dos serviços, e no correcto aproveitamento das mais-valias próprias do arquipélago, grupo a grupo, ilha a ilha, quer estas sejam belezas naturais, idiossincrasias culturais e sociais ou todo um outro universo de ofertas diferenciadas, que os Açores têm e que faz com que nos distingamos valorativamente de outros destinos. Precisamos de identificar e potenciar todas aquelas características que fazem dos Açores, uma experiência singular aos olhos do potencial turista.
Neste sentido e, como exemplo paradigmático, a já identificada ligação da região ao mar constitui uma das maiores e mais interessantes oportunidades dos Açores, no âmbito do crescimento do seu potencial turístico.
Os Açores possuem a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia e nessa imensidão existem incontáveis fontes de riqueza e desenvolvimento. Tanto nas duzentas milhas como na costa, em profundidade ou à superfície, por necessidade ou lazer, as potencialidades do mar que nos rodeia são infinitas e gritam pela nossa atenção. E o nosso mar não é apenas o imenso azul, o mar dos Açores é também o enorme potencial dos 691 quilómetros da sua linha de costa, maior que a totalidade do litoral do continente.
As nove ilhas dos Açores possuem no seu conjunto quase 700 quilómetros de orla marítima e nessas praias, baías, enseadas e fajãs, esconde-se um dos maiores patrimónios naturais, ainda não explorados, do arquipélago – as ondas.
Nos últimos anos assistiu-se por todo mundo a uma enorme vaga de interesse pelos desportos ditos de evasão, sendo que os desportos de ondas estiveram na vanguarda desse movimento. Os desportos de ondas são hoje uma indústria global com um substancial peso na economia dos países e das regiões onde são praticados. Estima-se que haja, actualmente, cerca de 50 milhões de praticantes distribuídos pelo mundo inteiro (cerca de 30 mil em Portugal), com um crescimento mais acentuado, em particular, na Europa, nomeadamente Espanha, França, Itália, Inglaterra, Irlanda, Alemanha e países nórdicos como a Noruega, a Finlândia e a Suécia. Numa sondagem recente 90% dos europeus considerou o Surf o desporto que mais gostaria de experimentar. O valor da indústria do Surf na Europa está estimado em 1.700 milhões de euros. Em Portugal esta indústria está avaliada em 11 milhões de euros de lucros anuais. Um outro estudo revela que uma onda de qualidade pode gerar até 100 milhões de euros de lucros no Turismo para esse local. Em muitos locais, os desportos de ondas são hoje considerados como um verdadeiro cluster com enormes potencialidades na sustentação dos mercados, na captação de turistas e nos índices de satisfação e de retorno destes.
Os Açores são, desde logo, pela sua condição geográfica, uma região com incontestáveis potencialidades neste mercado. Pela sua natureza arquipelágica, pela diversidade e extensão da sua costa, pelo seu clima ameno e de baixa amplitude térmica, ao longo do ano, pela sua proximidade da corrente do golfo, que lhes permite temperaturas da água do mar altamente convidativas, ao que se associa a configuração dos fundos marinhos e a latitude próxima da zona de formação das baixas pressões, o arquipélago dos Açores apresenta condições naturais de excelência, quer em termos de formação como de consistência das ondas.
Importa ainda realçar o facto de para este mercado ser o Inverno a época de maior apetência, uma vez que é nessa altura do ano que surgem as melhores condições naturais para a prática destes desportos. Neste aspecto os Açores apresentam uma mais-valia comparativa indiscutível pelo facto do Inverno no arquipélago ser muito menos rigoroso do que no continente Europeu. Tal facto permitirá um significativo incremento no combate à crónica sazonalidade do Turismo da região, assim como o facto do turista de ondas ser um “ecoturista”, com uma aguda sensibilidade para as questões da preservação da natureza e com uma apetência muito própria para um tipo de Turismo mais próximo da ruralidade, do Turismo de habitação, e, também, com pouco impacte na paisagem e nas comunidades locais. Isto é, em nossa opinião, extremamente importante para a evolução do Turismo nas ilhas mais pequenas e pouco massificadas.
São, assim, estes dados, aliados à diversidade e quantidade de locais nas várias ilhas dos Açores com potencial para a prática dos desportos de ondas, alguns deles de alto nível, que nos permitem afirmar sem tibiezas que esta é uma área onde os Açores se podem afirmar como um player a nível europeu, até mesmo mundial, e de onde se pode tirar profundos benefícios económicos e sociais.
Os Açores no seu todo e alguns concelhos em particular, como a Ribeira Grande, a Praia da Vitória, Vila do Porto, Santa Cruz da Graciosa, entre muitos outros, possuem todas as condições para experimentar um retorno extraordinariamente positivo deste produto.
Os desportos náuticos, em geral, e os desportos de ondas, em particular, estão já identificados, tanto em estudos como em legislação, como sendo um dos potenciais a explorar no futuro do Turismo na região, mas são ainda pouco reconhecidos e desenvolvidos. Há por isso ainda um profundo trabalho a realizar, no estudo dos locais, na análise das potencialidades de intervenção e na adaptação, caso a caso, das linhas de acção. Neste trabalho importa incluir os autarcas em colaboração com os técnicos e os restantes níveis da administração. Todos os indicadores apontam para que este possa ser mais um nicho, dentro do hipercluster do mar, que em muito pode contribuir para o desenvolvimento sustentado da aposta turística da região.
Por maioria de razão este modelo do cluster ondas pode, e deve, ser repercutido em outros nichos do produto turístico, igualmente com elevados benefícios para as economias locais e para o desenvolvimento do Turismo dos Açores como um todo: nas festividades locais, na gastronomia, no vulcanismo, na observação da natureza, whale watching, bird watching, náutica de recreio, pesca desportiva, no termalismo, no golfe, na arte, na arquitectura, no estudo e interpretação do clima, entre muitas outras áreas especificas em que os Açores apresentam características diferenciadoras claras. Esta adaptação do modelo de turismo dos Açores a uma potenciação das mais-valias particulares de cada ilha, cada grupo e da região pode e deve ser o suporte para uma política de Turismo que faça deste sector, verdadeiramente, um motor do desenvolvimento do arquipélago. Uma aposta séria na diversificação da nossa oferta, na qualificação do produto turístico Açores, na conquista de novos e melhores mercados, da qual o produto ondas é apenas um exemplo, do que entendemos ser uma aposta na colocação do Turismo no vértice da política global do arquipélago.
Desta forma cremos ser o momento do PS aprofundar ainda mais a sua aposta no Turismo, em estreita relação com o sector dos Transportes, e também fomentando uma estratégia de profunda articulação com o Ambiente e a Cultura, numa visão integrada e abrangente dos âmbitos de acção de cada um destes sectores, entendendo-se o Turismo, não apenas, como um aspecto isolado da economia regional, mas sim, como um sustentáculo fundamental para o desenvolvimento económico, social e ambiental da região. Ao mesmo tempo e concomitante com esta articulação cria-se uma maior preocupação na identificação e subsequente aposta nas mais-valias específicas de cada concelho, cada ilha e grupo, procurando-se na exploração destes nichos individuais e na sua união construir um todo coeso e dinâmico, focando a atenção na potenciação das particularidades de cada nicho dentro do produto Açores, num esforço conjunto para conquistar “um novo ciclo de reformas para uma região sustentável e uma autonomia segura”.

Ponta Delgada, 8 de Abril de 2010


MOÇÃO SECTORIAL apresentada ao XIV CONGRESSO DO PARTIDO SOCIALISTA/AÇORES realizado em
Angra do Heroísmo, Terceira, de 16 a 18 de Abril de 2010.
Subscritores: Pedro Arruda e José San-Bento. Aprovada por unanimidade.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

coisas realmente importantes

Num quase acto de contrição confesso que fui, no início, muito céptico em relação a Jorge Jesus. Muito da atitude do técnico me incomodava e admito o censurável snobismo de basear a minha avaliação não tanto nos méritos desportivos mas antes nos deméritos oratórios. É claro que não se ganham campeonatos com discursos, mas num desporto de senhores convêm sentir alguma distinção na pose. Depois o célebre episódio do foda-se na conferencia de imprensa de apresentação do treinador não ajudou a formar uma opinião melhor do que o preconceito. Mas, mais uma das maravilhas do futebol, no campo tudo se transformou. Jornada após jornada, jogo após jogo, o futebol do Benfica de Jesus obrigou-me a converter a minha opinião e a entrar no rol dos convictos apóstolos deste Mister. O jogo de ontem com a Naval foi mais um ponto de exclamação no auto de vitória de Jorge Jesus e, estou em crer que amanhã em Liverpool, mais uma página histórica será escrita neste novo Benfica, herdeiro de outros Benficas, que nos enche o coração. É bom gostar de futebol assim.

quarta-feira, 31 de março de 2010

WWE

Alguns jornalistas e outros comentadores ficaram indignados com a alegada promessa de sova que um deputado da bancada do PS lançou via telefone a um seu colega da bancada do PSD na última sessão da ALRA. Eu por mim não percebo a indignação. Será que já ninguém lê os clássicos, basta ir ao velho Eça para perceber o quão virulentas eram as nossas assembleias no tempo da outra senhora. Aliás já que comemoramos o centenário da República talvez valha a pena fazer uma antologia dos arrufos, das bordoadas e outras bengaladas dos nossos parlamentos no fim da monarquia e na primeira república. Voltando aos nossos deputados permitam-me os meus amigos, ressalvando a devida nota de humor, propor o seguinte – uma segunda câmara ao melhor estilo WWE, com reuniões mensais onde os deputados possam libertar a tensão com golpes de vale-tudo. Já estou mesmo a imaginar o cenário: Alexandre “Twitter Man” Pascoal vs Artur “O Broca” Lima; Francisco “ Príncipe Valente” César vs Clélio “90” Meneses; José “Triple X” San-bento vs António “The Hundertaker” Soares Marinho. Seria uma óptima maneira de interessar os mais novos pela política…

P.S. mais logo ao serão estarei na RTP-A para comentar este e outros assuntos de elevado interesse.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Kardec aos 89'

Uma das belezas do futebol é a angústia, o sobressalto e a euforia das grandes noites. Como quando contra uma arbitragem tendenciosa e uma equipa matreira vimos de trás na eliminatória e no último minuto ganhamos o jogo, com garra, com espectáculo e, acima de tudo, com bom futebol. Foi esse o Benfica desta noite e eu fico feliz por isso.

terça-feira, 16 de março de 2010

valham-nos os sabores

Isto da política está pela hora da morte. Raios, todo o país parece que se esvai. Ando á dias a congeminar posts sobre congressos, rolhas, Passos, perdões, Jardins, microondas, as Caldas da Rainha, Boys, suicídios e outras desgraças (umas mais verdadeiras, outras mais tristes, outras, ainda, mais desavergonhadas...), mas manifestamente não se consegue. Não há condições. O nó no estômago, com o estado das coisas, é tal que não há dedos que teclem...


Regressemos então às coisas simples, as coisas que realmente valem a pena – comida, bebida, música e outros afectos.

A injustiça é minha que há meses acompanho estes blogues mas ainda não lhes tinha feito a devida vénia. Constam já da lista de leituras regulares. Creio que são senhoras da Terceira que tem a enorme generosidade de partilhar connosco na net receitas diariamente, da sua alquimia nasceu um projecto fascinante e apropriado aos nossos tempos de penúria chamado 4 por 6 que faz hoje um ano, merece genuinamente o bolo de parabéns.

http://cincoquartosdelaranja.blogspot.com/
http://caosnacozinha.wordpress.com/
http://elvirabistrot.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Piadas de ocasião

Ao que dizem os jornais, a opinião pública alemã, tendo como porta-voz o Bild e os deputados do liberal FDP, aconselharam o governo Grego a vender algumas das suas ilhas para equilibrar o défice e vencer os problemas financeiros do país. Pondo de lado a óbvia arrogância germânica, fica a impressão de que os próprios alemães não se aperceberam ainda da sua posição na Europa. Basta ir a Creta, ou passear na baixa de Quarteira para compreender que há muito que isto foi vendido ao norte da Europa. Aliás, veremos se quando Portugal chegar ao fundo do fundo, como a Grécia, os nossos amigos escandinavos não quererão comprar os Açores a retalho – o Grupo Oriental aos finlandeses; o Grupo Central aos suecos e dinamarqueses; e o Grupo Ocidental aos noruegueses, que assim como assim também não fazem parte da União Europeia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A liga dos pais extraordinários


Dizem as convenções que as crianças são a melhor coisa do mundo e até já ouvi umas quantas almas dizerem que ser pai/mãe foi a coisa mais fantástica que lhes aconteceu na vida. A cada uma dessas declarações reajo sempre com pasmo e uma ligeira sensação de inveja. É que, devo confessar, não obstante a imensa paixão que nutro pela minha filha, ser pai foi/é a coisa mais difícil que alguma vez tive que fazer na vida. E não falo apenas das grandes questões - as dúvidas sobre o futuro, a completa alteração nos padrões de vida, a obliteração do Eu. Falo apenas das pequenas coisas - das fraldas, as unidoses de soro fisiológico pelo nariz, a tralha toda que se transporta para uma pequeníssima saída de casa, o preço das consultas do pediatra, as mil e uma variações de papas e leites e biberões. Essa imensa constelação de pequenos nadas que transformam a vida de um jovem pai num purgatório. Isto já para nem falar no verdadeiro quinto círculo do inferno chamado privação de sono... mas concentremo-nos nas pequenas coisas: o biberão. (Já agora, deixo aqui a questão se biberão ou biberon?) Encontrar o biberão adequado é uma verdadeira aventura digna de salteadores do biberão perdido. A correcta adequação entre tetina e recipiente, se tetina de silicone ou borracha, o centígrado da temperatura, depois a forma acertada de agitar o biberão para dissolver apropriadamente o pó para que não se formem grumos que entopem a tetina e aborrecem o bebé, e todos os pais sabem que um bebé aborrecido leva a choro que por sua vez leva a uma mãe enfurecida e a um pai no sofá da sala... adiante. Fazer um biberão é uma arte, ao nível dos melhores bartenders dos melhores clubes londrinos. Aquecer a água ou não aquecer, tê-la apenas tépida, por todo o pó de uma vez ou ir misturando lentamente, usar ou não usar uma vareta ou colher (há quem prefira usar um garfo), devidamente esterilizados obviamente, para misturar, agitar para cima e para baixo ou agitar de forma circular entre as palmas das duas mãos, ou ainda agitar de forma pendular com um jeito de pulso, juntar a doze correcta de papa de biberão... enfim, fazer um biberão não é só fazer um biberão é toda uma formação e cansaço... mas para cada pai estafado existe uma mãe preocupada com o casamento e recentemente a minha ofereceu-me este fabuloso instrumento: o Lump-free Blender da Béaba, que rapidamente se tornou no meu melhor amigo. Agora o biberão das cinco da manhã só me obriga a estar acordado até aos 180 ml de água, seis colheres de Aptamil 1 e três de papa de biberon Nutribén, o resto são as pás e as duas pilhas AA do Béaba. Agradeço e recomendo. É um verdadeiro salva-vidas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

das "notícias" e dos directos...

Não há nada de que os vendedores de jornais gostem mais do que de uma catástrofe. Cada tsunami, aluimento ou tremor de terra contabiliza logo mais não sei quantos milhões de exemplares vendidos ou mais não sei quantos pontos nos índices de audiências. E, isso é tudo o que um CEO de uma empresa que vende "notícias" quer ouvir. Aqui há dias, o Dr. Alberto João Jardim, do alto da sua circunstância e fiel ao seu figurino, lançou à Judite de Sousa, para quem não sabe uma proeminente jornalista do Canal 1, (uma espécie de Miguel Sousa Tavares de saias, blush e eyeliner) a seguinte atoarda – a senhora vai-se calar que eu vou dizer o que quero e vocês jornalistas vão mas é piar fininho! Não foi bem assim, mas é como se fosse. Hoje morreram duas pessoas numa grota no Nordeste. Mais do que o temporal, a chuva, o vento ou o fatídico acidente o que invadiu as rádios e as televisões em cada noticiário, em cada repetido directo, foi a hipótese de sangue, a ânsia de sofrimento, o desejo de dor. O lugar da informação foi ocupado vampirescamente pela voracidade do espectáculo. O decoro, essa arte antiga, que requeria respeito e contenção, foi contemporaneamente derrubado pela alarvice do em-directo-da-rua-que-vai-dar-à-grota-onde-parece-que-morreu-uma-criança-e-o-pai-e-mais-duas-crianças-ficaram-feridas... "Dois pais nossos e três aves marias" por concordar com o Alberto João, mas ao jornalismo o que é jornalismo e à pornografia o que é ...

mas o pior talvez seja que para cada jornalista com fome de sensacionalismo haja logo atrás um político com ganas de populismo...

sic transit gloria mundi

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Madeira

Em poucas horas a ilha da Madeira foi acometida pelo Terror. Um dilúvio... bíblico, como se um castigo. Como se aos olhos da Natureza a única medida do homem fosse a impotência e o choro. Perante o que sucedeu na Madeira, impõe a dignidade que saibamos guardar os raciocínios culpabilizadores, que se contenham as sentenças, que se respeite, nem que por poucos momentos, a dor. Na voragem da notícia e no maniqueísmo actual dos certos e dos errados, em plena tragédia surgiram as vozes gritantes da censura dos actos, dos planeamentos, das escolhas, num bombardeamento político absolutamente terrorista. É lancinante constatar que na nossa sociedade existem aqueles que nem perante a natureza e a morte sabem pousar as espadas. Independentemente do que possamos pensar sobre os nossos adversários, ou opositores, nada lhes pode retirar a humanidade sob pena de nós próprios nos tornarmos nos algozes. Por outro lado, há uma imensa arrogância em pensar que a racionalidade humana se pode opor ao poder magnânimo das forças da natureza. Convêm dizê-lo de forma clara – em 1755 a culpa não foi de D. José, ou do Marques, ou da chacina dos Távoras. Em Angra, em 85 80*, não nos preocupou os planos de ordenamento de Mota Amaral. Não é agora, que por ser Alberto João Jardim e o seu séquito, que devemos por a baixa política acima do humano.

* obrigado ao Guilherme pelo olhar atento.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

a vida num minuto

É certamente um chavão repetir que a arte imita a vida ou o contrário, mas nestes dias em que o mundo parece padecer da sua própria voracidade e em que os zappings televisivos nos forçam a mergulhar numa letargia deprimida por força da rapidez da sua auto transformação e em que os desígnios da política e da governação nos pretendem fazer crer que tudo se esgota na discussão pueril de escândalo sobre escândalo, nestes dias, conforta constatar que ainda existe algo para lá da espuma. No público de hoje Luís Francisco traz-nos a história por detrás da notícia rocambolesca do avião que se despenhou em Tires na semana passada. Para lá da inverosimilhança, o que só adensa o seu potencial romanesco, fica de facto a emoção de uma trama cinematográfica real e nesse cruzamento entre o real e o literário, o metafórico, há o sublime de uma vida que se prende, e perde, num minuto e de um minuto que marca toda uma vida. Isso é tudo o que precisamos nestes dias, compreender a eternidade de cada minuto em vez de gastarmos tudo na futilidade de poucos minutos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

o retrato do país

Este é talvez o melhor retrato do País. Loucamente folião, alheado da realidade, imaginando-se em trópicos inacessíveis, sofredor silencioso e sorridente… fazendo tudo por meia hora de gargalhada e esquecimento. Assim vamos em Fevereiro de 2010.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"controlar" a comunicação social...

A tentação de controlar a informação é tão antiga como a própria democracia e está impregnada no código genético de qualquer exercício de poder. Mas o erro sob o qual todos temos vindo a laborar em face desta trapalhada das escutas e dos conluios e do raio que o parta é de que em Portugal seja o poder político quem quer controlar os media. A questão não é essa, quem controla os media são grupos económicos e financeiros que por sua vez querem controlar o poder político e vice-versa. E é dessa promiscuidade, dessa constante troca de favores e ataques, num toma-lá-dá-cá imparável e abjecto, que reside o mal actual. Também não ajuda que já não se façam jornalistas e barões dos media como antigamente (já me contentava que tivessem agendas claras e transparentes, exercendo o seu direito a serem partidários de uma forma frontal…). Mas sob a capa da “liberdade de expressão” (dá vontade de dizer – não uses o nome de Deus em vão!) permitem-se cometer todo o género de maquinações e atropelos da verdade. Todos, mesmo todos, vamos sair prejudicados deste escalar da política de sarjeta que parece ter tomado conta do País.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

lamento


Que o mundo estava perigoso já o sabíamos, agora confrontamo-nos com a perigosidade do país. Como se já não bastasse a tenebrosa crise financeira e económica que nos asfixia lenta e inelutavelmente, ainda temos o desvario e estupidez dos alicerces da parca democracia que conseguimos com dificuldade nestes módicos trinta e cinco anos desde a revolução de Abril. Legisladores, governos, juízes, jornalistas e empresários aparentemente todos entraram numa espiral imparável de idiotice, perfídia e demência. Já nada parece seguro neste país, já nada parece sério.

Adenda: são duas e meia da tarde, nos Açores, do dia 11 de Fevereiro, ia fazer mais um post sobre o desgoverno no país e os factos das últimas horas, mas esta imagem que ilustra o post parece-me tão boa e tanto pode ainda acontecer nas próximas horas que, para já, deixo as coisas como estão. Mais logo estarei na RTP-Açores a, tentar, comentar a situação política nacional, se é que isso é possivel...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

recomendação carnavalesca

depois do "curso de ética" para pilotos da TAP que tal um curso do mesmo género para políticos e "jornalistas"

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

do Orçamento e outras questões eleitorais

Ao que tudo indica o Governo vai ver o seu Orçamento de Estado aprovado pela “abstenção construtiva” da direita parlamentar. É claro que depois da verdadeira inundação de discurso catastrofista, levada a cabo nos media, devidamente apoiada nos relatórios das agencias internacionais, sobre o quanto pior do que a Grécia é Portugal tudo apontava para uma solução de acordo à Direita do espectro político. Aliás, dado o quadro, não podia ser de outra maneira, mas esta opção levanta várias questões eleitorais. O Primeiro-ministro Sócrates mostra mais uma vez a sua tenacidade e pragmatismo político, escudado num discurso da situação do país consegue a sustentabilidade do seu Governo para até depois das presidenciais encostando Cavaco à sua própria declaração de entendimento. E, ao mesmo tempo, encurrala a esquerda (ou as outras esquerdas...), com Alegre pelo meio, num beco sem saída. Do ponto de vista da tarefa de Primeiro-ministro, é uma verdadeira vitória. Mas resta saber se Sócrates consegue também ser um bom Secretário-geral do PS. É que a estratégia agora seguida para o orçamento salva-lhe o Governo, mas pode ao mesmo tempo significar a reeleição de Cavaco e uma delapidação ainda maior do eleitorado, dito de esquerda, do PS. Ficam duas perguntas: Achará Sócrates que o melhor presidente para si é Cavaco? E o que fará Cavaco (e a sua entourage) com um segundo mandato?
Enfim, coisas do país político. Agora vou ali fazer a sopa da bebé.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Obama



Dizem os calendários que hoje se cumpre um ano da presidência da Barak Obama. Para surpresa de todos o mundo continua perigoso. Afinal, apesar da saudável embriaguez de tanta “Hope” e “Change” continuam as guerras e as Guantanamos, a pobreza e a crise, os terramotos, a incapacidade de assinar um acordo global sobre as alterações climáticas, etc., etc., Tudo está como tem que estar quando governado por pessoas. É caso para perguntar aos politólogos se é ético resumir todo um programa político ao poder de duas palavras. E ao que parece a estratégia vai-se repercutir por esse mundo fora, com todo e qualquer aspirante a líder a copiar a retórica e a prometer “Mudar” (resta saber o quê?) e a alardear “Esperança” (também convinha saber em quê?). É bom andar nas nuvens, o problema é quando se cai delas. É que até os castelos dos contos de fadas são feitos de pedras que fazem estrondo nos terramotos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

coisas realmente importantes

O navio escola Sagres partiu hoje para mais uma volta ao mundo e isso faz toda a diferença...


O país do croquete

Nada é mais representativo do que é Portugal do que a notícia de que Cavaco vai apor a Grã-cruz da Ordem de Cristo, pelo exercício de funções públicas de alto relevo, ao ex-presidente da Câmara da Figueira da Foz; ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa; ex-secretário de Estado da Cultura; ex-primeiro Ministro; ex-presidente do Sporting Clube de Portugal (não sei se é mais ex-qualquer coisa…); actual vereador da Câmara Municipal de Lisboa Pedro Santana Lopes. Não fosse isto triste e trataríamos de rir com a ironia. Santana Lopes é como o Dólar, umas vezes desvaloriza, outras sobe, mas nunca sai de moda. Cavaco,esse,mostra o que é, um politicozinho enredado nas teias do maquiavelismo bacoco da política pátria, debaixo de uma mascara espúria de grande e impoluto professor de finanças apenas preocupado com a salvação da nação. Nada mais falso. Todos estes gestos, não são mais do que a comprovação de que este país se satisfaz com salamaleques e vénias, sorrisos de fachada e politica do croquete. Hoje levas um carolo amanhã sou o teu melhor amigo. E é claro que Santana Lopes vai aceitar a comenda, fazendo de conta que era outra a má moeda. Triste também é que isto pode ser a visão benévola da coisa, se eu quisesse ser mauzinho apontava ao que o Sr. Presidente nos diz, com esta honraria a Santana Lopes, sobre o que pensa sobre a sobrevivência do “seu” partido. Pobre PSD que vive com gente desta.

Nota insular para registar que na mesma cerimónia são também agraciados, e pela mesma razão, dois antigos Presidentes da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Madruga da Costa e Fernando Menezes. É este o país que temos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Alegre ao vento

Não há necessidade nenhuma de o dizer, mas nutro simpatia e apreço por Manuel Alegre. Num tempo de demasiados cinzentos é sempre estimulante ver alguém que aponta os pretos e os brancos. Mas nem só de ousadia, ou teimosia e ganância, neste caso, se faz a história, ou o poema. A entrada extemporânea de Alegre na corrida presidencial dá a nítida sensação do corredor de meio fundo que saltou antes do tiro de partida. Fez depropósito e desestabilizou o resto do pessoal que estava na linha de partida. Mas agora é óbvio que vão todos ter que partir outra vez. Inclusive o próprio. Olhando as notícias, as acusações e subentendidos, que correm por aí nestes dias fica-me uma sensação de nostalgia pelo sistema das primárias americanas. É que no caso português serviria para esclarecer muitas dúvidas. Depois há a questão da esquerda ou das esquerdas nacionais, mas isso é matéria para outros posts. Para já esperamos que Alegre volte à linha de partida.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Novos começos

Há já vários dias que ando a matutar na ideia de regressar aos blogues. Não porque considere que as razões que me levaram a uma sabática grande da blogoesfera estejam totalmente ultrapassadas, mas porque o bichinho de ruminar sobre a espuma dos dias contínua lá, mexendo-se. E a decisão de que o regresso teria que ser a solo também já estava tomada, dai até ao nome foi uma lista grande de sins, talvezes e nãos. Depois paro na ideia de Açoriano Acidental, que me parecia resumir muito do que poderia ou deveria ser um novo blogue a solo. Criado o header, sigo para o primeiro post e só depois constato que o nome já estava registado e aí volto à estaca zero. E então AZOREAN SPLENDOR, numa homenagem a Harvey Pekar e ao meu amor por BD. Porque no fundo os blogues não são mais do isso – a espuma da história das nossas vidas. Este será da minha.

Ser de lugar nenhum

Uma das minhas maiores paixões é o mar. Mais especificamente as ondas. Foi por causa das ondas que, em determinada altura da minha vida, decidi viver nos Açores. Foi também por causa das Ondas que me iniciei na blogoesfera, no distante ano de 2003. Há dias, levado por uma polémica estúpida escrevi um texto num outro blogue, sobre a condição de ser de lugar nenhum. Esta é a minha condição e sei que sou açoriano porque podia ser de outro lugar qualquer. Regressar à blogoesfera, em particular ao blogoarquipélago, é no fundo e apesar do lodo, regressar à esperança de que seja possível discutir e pensar os Açores, assim como outro sítio qualquer, com a mesma paixão e desprendimento com que se conquista uma onda.