segunda-feira, 1 de março de 2010

das "notícias" e dos directos...

Não há nada de que os vendedores de jornais gostem mais do que de uma catástrofe. Cada tsunami, aluimento ou tremor de terra contabiliza logo mais não sei quantos milhões de exemplares vendidos ou mais não sei quantos pontos nos índices de audiências. E, isso é tudo o que um CEO de uma empresa que vende "notícias" quer ouvir. Aqui há dias, o Dr. Alberto João Jardim, do alto da sua circunstância e fiel ao seu figurino, lançou à Judite de Sousa, para quem não sabe uma proeminente jornalista do Canal 1, (uma espécie de Miguel Sousa Tavares de saias, blush e eyeliner) a seguinte atoarda – a senhora vai-se calar que eu vou dizer o que quero e vocês jornalistas vão mas é piar fininho! Não foi bem assim, mas é como se fosse. Hoje morreram duas pessoas numa grota no Nordeste. Mais do que o temporal, a chuva, o vento ou o fatídico acidente o que invadiu as rádios e as televisões em cada noticiário, em cada repetido directo, foi a hipótese de sangue, a ânsia de sofrimento, o desejo de dor. O lugar da informação foi ocupado vampirescamente pela voracidade do espectáculo. O decoro, essa arte antiga, que requeria respeito e contenção, foi contemporaneamente derrubado pela alarvice do em-directo-da-rua-que-vai-dar-à-grota-onde-parece-que-morreu-uma-criança-e-o-pai-e-mais-duas-crianças-ficaram-feridas... "Dois pais nossos e três aves marias" por concordar com o Alberto João, mas ao jornalismo o que é jornalismo e à pornografia o que é ...

mas o pior talvez seja que para cada jornalista com fome de sensacionalismo haja logo atrás um político com ganas de populismo...

sic transit gloria mundi

2 comentários:

catarina disse...

É a pesacadinha de rabo na boca!!
Se sobem as audiências também significa que quem lê a informação ou zappa nos telejornais é exactamente isso que procura - sangue, desgraça e a dor do outro!

Temos os jornalistas que queremos, os politicos que elegemos e o país que sofremos!!!!
Beijos
sis

Anónimo disse...

Aconselho rapidamente:

immagazine.sapo.pt

Porque afinal o mundo (e os jornalistas) não são todos cinzentos! ;)

Abraço,

MP