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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Speakers' Corner 101

O fim da ideia europeia

A pandemia de Covid-19 foi, provavelmente, o acontecimento mais impactante da nossa história recente e as suas consequências estão ainda longe de ser totalmente compreendidas. Mas são inquestionáveis as profundas cicatrizes que deixou no nosso tecido social.

Para combater os efeitos da pandemia, diziam-nos os governos, a União Europeia concebeu um gigantesco plano de recuperação económica. António Costa, então xerife do passaporte digital, chamou-lhe primeiro "vitamina" e depois "bazuca", talvez já antevendo a economia de guerra em que a Europa está hoje mergulhada.

Assim nasceu o PRR, apresentado como o grande instrumento para recuperar e tornar resiliente uma economia em frangalhos. Transição climática, transição digital e infraestruturas constituíram os seus três grandes eixos.

Agora que celebram a sua execução com números cada vez mais triunfais, talvez valha a pena olhar para aquilo de que ninguém fala.

Segundo um estudo da McKinsey, os setores mais atingidos pelas medidas de combate à pandemia em Portugal foram precisamente os mais dependentes do contacto pessoal e da mobilidade: alojamento e restauração, cultura e entretenimento, comércio e transportes.

Turismo e Cultura são, em larga medida, um universo de micro, pequenas e médias empresas, empresários em nome individual e associações culturais. Gente que vive do seu trabalho e que, durante a pandemia, foi impedida de o fazer.

Apesar disso, os investimentos destinados à Cultura e ao Turismo representaram menos de 2% do total do PRR. E, em muitos casos, a sua execução concentrou-se no investimento público, na recuperação de museus, bibliotecas e outros equipamentos, enquanto os pequenos negócios, os artistas, os restaurantes, os alojamentos e as empresas de animação turística ficaram muito mais longe da bazuca prometida.

Dos 22,2 mil milhões de euros do envelope financeiro revisto do PRR, estes dois setores não receberam mais de 360 milhões, aproximadamente, sendo que a maioria desse dinheiro foi canalizada para as Escolas de Hotelaria e Turismo ou para a modernização digital de bibliotecas e museus do Estado.

Talvez seja precisamente esta distância abissal entre o dinheiro investido e a vida concreta das pessoas que ajude a explicar, de forma particularmente transparente, o estado atual da UE. Uma distância que se consubstanciou recentemente em dois acontecimentos aparentemente separados, mas paradigmáticos.

Na Islândia, mais de metade dos eleitores rejeitou a adesão à UE. Na Alemanha, a AfD, defendendo abertamente a saída da UE, venceu as eleições na Saxónia-Anhalt com cerca de 45% dos votos, conquistando também uma parcela expressiva do eleitorado jovem.

Perante estes resultados, os partidos tradicionais e boa parte da comunicação social recorrem ao catálogo habitual de palavras de choque: fascismo, xenofobia, populismo, antidemocratismo. Ninguém contesta a realidade desses perigos. Mas a questão que nos devia preocupar é porque estão tantos europeus a deixar de acreditar no projeto europeu?

Talvez porque a Europa se tornou extraordinariamente eficaz a falar de grandes transições, metas, fundos e guerras, mas cada vez menos capaz de responder às necessidades básicas da vida de cada um de nós.

Quando a política deixa de ser percebida como instrumento para melhorar a vida dos cidadãos e passa a ser uma máquina de impor prioridades e exigir sacrifícios, a democracia perde o seu chão.

O problema não é apenas a extrema-direita. É antes uma Europa que, ao afastar-se dos seus cidadãos, se afasta da sua própria razão de existir e acaba por fabricar o ressentimento que alimenta aqueles que a procuram destruir. E são os próprios líderes europeus que, paradoxalmente, se transformam nos seus principais coveiros.

De nada serve derramar dinheiro sobre os problemas. Porque, para um europeísta como eu, se esse dinheiro não chega a tocar na vida das pessoas é a própria ideia de Europa que morre.  

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Speakers' Corner 18

Balas e brioches

Diz-se que ao se aperceber dos gritos da turba que marchava às portas de Versailles, Marie Antoinette, terá perguntado porque gritava a multidão? À resposta - porque têm fome, a mulher de Louis XVI terá respondido - dêem-lhes brioches. Verdade ou não, a frase tornou-se símbolo do desfasamento, da distância, ou detachment, na sua formulação inglesa, se quisermos, que talvez seja a mais adequada, entre governantes e governados. Impregnada pelos mais puros ideias - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - a Revolução Francesa, que em breve fará 250 anos, foi uma sublevação das massas desfavorecidas contra a elite, cada vez mais distante e abjeta, presa nos seus faustosos castelos e pompa extravagante. À época, o maior grito da moda masculina eram os calções de seda que os aristocratas usavam e a grande multidão popular para sempre ficaria conhecida como os sans-culottes. Por mais bela e justa que fosse a origem desse grande movimento popular, que ainda hoje marca a geografia política mundial, a revolução terminou num enorme banho de sangue e na vertigem ditatorial napoleónica.

Nos últimos dois dias, numa das primeiras iniciativas de António Costa, os líderes europeus reuniram-se no Palácio d’Egmont para uma reunião informal dedicada aos temas da defesa onde marcaram presença dois convidados especiais, Mark Rutte, secretário-geral da NATO, e Kier Starmer, o primeiro-ministro inglês. Rutte, que é bom não esquecer era o primeiro-ministro holandês quando o seu execrável ministro das finanças, Dijsselbloem, lançou sobre os países latinos o anátema dos copos e das mulheres, já tinha estado em Lisboa, na última semana, avisando-nos para a ameaça russa, cujos navios e mísseis se aproximam das costas portuguesas, como as potentes ondas do canhão da Nazaré. Tal como esse outro paladino do povo tornado empedernido falcão, Mário Draghi, que marcou presença numa reunião do conselho de estado para enfatizar a urgente necessidade de uma deriva militarista, aconselhando avultados investimentos em armamento como o novo rumo estratégico da economia europeia.

Depois de se terem colocado nas mãos da indústria farmacêutica, de formas pouco transparentes, em que biliões dos nossos impostos foram injetados em grandes multinacionais por causa de um medo indizível e não identificado, os líderes europeus preparam-se para ir para a cama com o complexo industrial militar, desta vez sob a égide do fantasma de Putin. A Europa, em tempos um bastião da paz e da concórdia, parece agora querer arrastar-se para uma militarização abominável e sem sentido, numa amnésia coletiva dos seus mais altos representantes sobre o que foram as duas grandes tragédias do século XX.

Numa das suas últimas declarações públicas, Antony Blinken, secretário de estado de Joe Biden, apelava cinicamente a que os ucranianos baixassem a idade do recrutamento militar, como forma de alimentar a máquina de extermínio de uma guerra suja, numa Ucrânia onde Zelensky já veio admitir que apenas recebeu metade dos mais de 175 biliões de dólares em ajudas financeiras dos EUA, para uma guerra  determinada pelos interesses financeiros dos grandes conglomerados financeiros, a quem praticamente todos os políticos se submetem, como a Black Rock, por exemplo, um fundo que é detentor de parte da Pfizer e um dos maiores investidores mundiais na indústria de defesa.

Desde 2008 que o mundo se debate com sucessivas ignomínias, em que os mais pobres são alimento fácil para a voracidade dos falcões, banca, alta finança, farmacêuticas e indústria militar. Talvez quando os nossos filhos forem chamados a perder a vida nas fronteiras do Leste, ou aqui, nas águas do Atlântico, a grande massa dos descamisados do mundo, os eternos sans-culottes, possa acordar da sua letargia e marchar novamente sobre os palácios do poder, onde ao som do Hino da Alegria um qualquer António Costa se comova com um banal - sirvam-lhes brioches...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Speakers' Corner 16

O sonho americano

Washington chamou-lhe “os emaranhamentos europeus”. Monroe, na sua famosa doutrina, aprofundou a tese da “américa para os americanos” e defendeu o distanciamento face aos permanentes conflitos entre as nações do velho continente. Mais tarde, no vórtex da Primeira Grande Guerra, Woodrow Wilson, um Democrata, cunhou a entoações de discursos radiodifundidos o slogan populista de “America First”, evitando a todo o custo a intervenção da grande potência da liberdade e da prosperidade numa Europa hostil e caótica.

A História, na verdade, ensina-nos que o sonho americano foi construído por antítese à Europa. As várias nações das Américas, sendo naturalmente os EUA o seu principal protagonista, foram construídas por homens e mulheres evadidos ao caos europeu de injustiça social, perseguição religiosa e pequenas nações permanentemente em conflito. Ao longo dos séculos, as Américas, e os Estados Unidos da América, foram o porto de abrigo de sucessivas gerações de desfavorecidos das várias nações europeias aportando ao novo continente em busca de Liberdade e Prosperidade e em fuga, muitas vezes enraivecida, ao desastre europeu.

Há uma certa húbris neste sentimento de que a América deve, por alguma razão superior, quase metafísica, acompanhar a Europa nas suas  dores e dificuldades, como se de um filho se tratasse, que deve cuidar do seu progenitor idoso nos seus anos finais de vida. Depois de ter sido salva duas vezes no século passado da autodestruição, a Europa observa em pânico o regresso dos EUA à sua verdadeira natureza de nação iminentemente isolacionista, agora na retórica alaranjadamente simplista de um  Trump messiânico e demagógico. Também nisso a História nos mostra que não há grande originalidade. Para desgosto dos muitos editorialistas e especialistas dos órgãos de comunicação social ditos mainstream, os EUA sempre foram pródigos em políticos grandiloquentes, populistas e, eminentemente, antieuropeus.

Talvez, mais importante do que censurar a narrativa trumpiana, a Europa devesse olhar para si e perceber os seus próprios falhanços e debilidades, reconstruindo-se como farol da tolerância e da igualdade. O que a tomada de posse de Trump revela é a própria incapacidade europeia de se afirmar como protagonista relevante, alicerçado na confirmação social, cultural e económica dos seus valores fundacionais. Ao revés, a Europa vê definhar as bases do Estado Social, da livre circulação e da prosperidade definida no projeto europeu, mesmo da própria paz no continente, soçobrando sob a opressão das suas próprias forças internas que, como Mark Rutte, que hoje se regozija com a perspetiva de uma Europa militarizada e “turbo-carregada” de despesas em armamento e defesa, se comprazem com a perspetiva de uma nova vertigem bélica no continente. A grande ameaça à Europa não é Trump, muito menos uma América orgulhosamente só, mas a implosão do sonho europeu de paz e desenvolvimento num continente de nações finalmente reconciliadas entre si.

Bruxelas capitulou aos pés dos mercados e da alta finança. Estrasburgo soçobrou sob o peso da sua própria burocracia e irrelevância prática. Paris e Berlim perderam-se no caleidoscópio da histeria pós-ideológica. E a velha Albion refugiou-se de novo na sua insularidade pragmática. Não admira que em Roma, Georgia Melloni reclame em excitação mussoliniana a refundação de um novo Império Romano com a cidade do rio Tibre como nova capital europeia.

Enquanto Trump se apresentava como o novo escolhido de Deus e o arauto de uma nova “era dourada”, e Biden perdoava, na vigésima quinta hora, o inefável Fauci e mais uns quantos membros da sua família, a Europa enfunava-se para mais um encontro global de interesses não escrutináveis em Davos, Portugal debatia o futuro de Vitor Bruno e o calvário portista e, nos Açores, entre sismos e depressões (meteorológicas e mentais…), Tony Carreira era apresentado como figura de proa da nova programação do Coliseu Micaelense. Cada um têm o que merece.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Speakers' Corner 9

O fim do sonho europeu

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, o continente europeu viu-se mergulhado numa escura e amordaçada multitude de escombros. Da destruição física ao trauma psicológico e espiritual. Da desagregação política e económica. E, da tenaz política e geoestratégica de duas novas grandes potências em ardente guerra fria, à sua esquerda e à sua direita. Mas deste pó ergueram-se grandes estadistas e deles brotou a esperança de instituições internacionais fortes, que agregassem os povos, oferecessem esperança e paz e, principalmente, impedissem que o continente soçobrasse de novo ao peso do apocalipse. A “Declaração Schumann”, mais do que um projeto económico, era uma visão ambiciosa e audaciosa para o seu tempo, se considerarmos que foi gizada apenas 5 anos depois do fim da segunda grande guerra. A consciência de que a prosperidade e a paz no continente só seriam possíveis com a normalização das relações entre França e Alemanha, e a sua aceitação por Konrad Adenauer, é um ponto basilar naquilo que foi a história da Europa nos últimos 75 anos. Robert Schumann, juntamente com Adenauer, Jean Monnet e outros, representam uma linhagem de estadistas conscientes e visionários que legaram ao mundo o seu mais longo período de paz e prosperidade. Nunca a expressão de Newton, de que nos “erguemos nos ombros de gigantes”, foi tão acutilantemente pertinente.

Mas desgraçadamente, o tempo dos grandes estadistas, europeus e mundiais, morreu. Os grande líderes políticos que construíram a Europa deram lugar a uma extensa família de eurocratas, e a visão de uma prosperidade que impedisse o eclodir de conflitos foi substituída pela miopia estéril da próxima eleição. Em vez de grandes desígnios ou aspirações, a política europeia é regida hoje pelos curtos ciclos das eleições e a perpetuação de mecanismos pouco claros, pouco democráticos e reduzidamente escrutináveis. Dos quais, o processo de escolha dos líderes da Comissão e do Conselho são, aliás, exemplo claro. E num mundo em acelerada e agitada mudança, a Europa é cada vez mais um velho e inconsequente protagonista, sem voz, sem ascendente e, muitas vezes, sem orientação.

Nas últimas semanas Ursula von der Leyen e António Costa viram confirmadas as suas indigitações para os mais altos cargos europeus. Costa, a quem o jornal Político designava como o primeiro líder europeu de uma “minoria étnica” (sic). O que dá bem nota da sua irrelevância e da baixíssima expectativa quanto ao seu desempenho. De melhor político da sua geração, em Portugal, a obscuro e irrelevante representante de uma minoria étnica, no grande palco europeu. Já a Sra. Leyen, a braços com uma investigação por corrupção na gestão dos contratos vacinais vê-se reconduzida na liderança de uma Europa cada dia mais irrelevante económica, política e estrategicamente, a braços com uma guerra à sua porta, instigada pelos interesses financeiros e económicos da máquina de guerra global, de um lado, e pela ambição de um tirano, pelo outro, numa nova tenaz de medo e conflito, exatamente o que os pais fundadores da União sempre desejaram evitar.

Postos perante esta escolha, os grande areópagos europeus optam pela guerra para assegurar o seu poder. O relatório Draghi indica na indústria militar o caminho para uma nova evolução económica do continente, numa nova corrida às armas e na criação de exércitos europeus, incensados pela sempre voraz racional belicista da alta finança mundial. E, no seu discurso de posse perante o parlamento, a Sra. Leyen vincava estas escolhas, enfatizando o tom de uma luta pela liberdade baseada, pasme-se, na segurança e defesa, e já não, como os gigantes que a antecederam ambicionaram, nos ombros da prosperidade, da igualdade e da fraternidade. É assim, neste sobressalto, que acordamos para dura realidade do fim do sonho europeu.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Em contraciclo


Há uma ideia latente, no espírito nacional, mesmo desde o tempo da sua fundação, que é a de que Portugal é um país eternamente atrasado relativamente ao centro da Europa. Ninguém corporizou melhor esta ideia, do atraso português, do que a Geração de 70 e esse seu paladino imaginário Carlos Fradique Mendes que, nas suas Cartas, afronta o torpor nacional ovacionando a vibração iluminada das grandes capitais europeias. Pode parecer estranho recuperar esta ideia, a propósito destas eleições para o Parlamento Europeu, mas olhando para os resultados, fica, de facto, a sensação de que corremos em contraciclo, no país, face à Europa, e, nos Açores, então, mais ainda.

A Europa - Dois factos fundamentais dos resultados destas eleições: a participação eleitoral que ultrapassou a mítica fasquia dos 50%; e, a não-vitória dos partidos antieuropeístas. Estes foram os dois fantasmas que assombraram toda a campanha, quer nas parangonas dos jornais, quer nos discursos dos políticos. Por um lado, o medo do progressivo alheamento dos eleitores europeus face às instituições e ao próprio projecto europeu não se confirmou, dando assim como que uma lufada de ar fresco aquele que é o segundo maior, depois da Índia, espaço de democracia do mundo. Por outro lado, aquela que se temia seria a avalanche antieuropeia dos partidos populistas e neofascistas, também, não se confirmou, nem mesmo em França onde, apesar da vitória, Le Pen ganhou com menos votos do que em 2014. No total dos 751 deputados que formam o Parlamento Europeu, a coligação negativa, liderada pelo italiano Salvini, com o americano Bannon como seu novo Maquiavel, não terá mais do que 70 lugares. Mas, outro facto sobressai destas eleições: a queda dos partidos ditos tradicionais e o crescimento dos partidos ecologistas e liberais. O grande desafio dos próximos cinco anos será, forçosamente, a democratização dos directórios europeus e a aproximação das suas instituições aos cidadãos. A escolha da próxima comissão será um momento fundamental neste caminho e fica claro, com estas eleições, que socialistas e conservadores deixaram de ser donos e senhores dos destinos da Europa e passarão a ter de ter, fatalmente, em conta a vontade dos cidadãos que votaram nestas novas ideologias e novas forças partidárias.
O País – Portugal vive em contraciclo do movimento europeu, não só pela esmagadora vitória da indiferença, expressa pela abstenção - 69% - a maior taxa dos 45 anos da nossa democracia, como pela vitória inequívoca do PS. Por essa Europa fora, de uma forma ou de outra, os eleitores perceberam a importância da sua participação, em Portugal não nos podíamos estar mais nas tintas para a Europa e, nem a propositada e absurda focagem da campanha nos temas nacionais, como os fogos, a geringonça, ou os professores, conseguiram mobilizar o eleitorado. E, o contraciclo é ainda maior pela vitória de um partido clássico e no poder, e pela insignificância a que se viram remetidos os novos partidos, que se diziam representar as novas ideologias e as novas formas de estar na política, Livres e Bastas,  Alianças e outros que tais, todos juntos, nem um pavilhão multiusos, desses milhares, que foram construídos com dinheiros europeus ao longo dos anos, em cada vilória do país, conseguiriam encher. A excepção é o PAN, que, ao que parece, cimenta a sua matriz geracional e ideológica, reforçada pelo facto de, hoje em dia, ninguém saber que nessa eterna coligação chamada CDU, para além do PCP, também lá milita um outro partido, que dá pelo nome de Partido Ecologista Os Verdes.
E os Açores – Pois então, por cá tudo mais ou menos na mesma, ou, ainda, um bocadinho pior. 81% de orgulhosos abstencionistas, 1 deputado europeu, um PS absolutamente hegemónico e uma oposição inexistente, ou pior do que inexistente, comatosa, um verdadeiro peso morto no nosso sistema político. Por mais que Alexandre Gaudêncio, num pueril exercício de malabarismo político, queira ver na abstenção um qualquer reflexo de insatisfação dos eleitores com a governação socialista, o facto é que o PSD se afunda cada vez mais, para níveis próximos do ridículo, e o PS-Açores continua, e vai continuar, a ganhar eleições folgadamente, por mais disparates que faça, ou escândalos que dele se aproximem. Em democracia são os votos que mudam os governos, não são as abstenções!
Por último, uma nota para o André Bradford, que será nos próximos 5 anos, o único representante dos Açores no Parlamento Europeu. A Europa precisa de políticos, mais do que técnicos ou tecnocratas, que por lá já abundam em excesso. E os Açores precisam de mais Europa, mas não só a Europa das quotas das pescas e dos cêntimos do leite, dos fundos europeus e das comparticipações de investimento. André Bradford é um político inteligente, experiente e sagaz, que saberá levar os Açores a uma Europa em tumulto, mas fica aqui o repto para que saiba, também, trazer aos Açores uma outra Europa, que não apenas a Europa da retórica partidária e da tirania financeira. 


quinta-feira, 25 de julho de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um novo banco...

...para todas as poupanças.

 


Debaixo do Molaflex o seu dinheiro está segurex!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

a Europa no limiar do precipício

no meio da tempestade perfeita um alto responsável da Comissão Europeia apela à humilhação pública dos estados membros que cometam traquinices económicas. É o princípio do fim, a Europa olha para o precipício e parece embriagada com a vertigem, basta um dedo e ploft!… era bom que alguém fizesse alguma coisa.